terça-feira, 25 de outubro de 2011

os fins (não) justificam os meios

Os fins justificam a concessão de meios.
(N. Maquiavel) 
 
    A expressão apresentada é um dos princípios de Maquiavel. Este, achando do dever de um governante proporcionar as melhores condições de vida possíveis aos seus governados, considera que este deve, simultaneamente, lutar pela obtenção das variáveis do bem estar e transparecer uma imagem de liderança forte.
    Assim, o que a expressão representa é a máxima do utilitarismo, defendo que o líder deve fazer de tudo para alcançar o que é preciso, sendo todo e qualquer meio justificável perante um fim lícito.
    Esta visão sofre, a meu ver, de uma tremenda falha, que consiste na imprecisão do que pode ser ou não um fim nas ações humanas. Esquecem-se os que defendem esta máxima de que cada ação é singular e de que, ainda que o pensamento perspetive o futuro e os possíveis resultados relacionados, o pensamento e a ação diferem. A ideia de que certas ações são meios e outras são fins é, portanto, errada. As ações são um fim si mesmas, sendo, por isso, julgáveis independentemente, porque, por mais que alguém cometa um erro para alcançar um bem, o erro permanece num tempo e num espaço diferentes do bem e, por isso, essa ação não deixou de ser errada.
    Aquilo por que todos, e com destaque para os governantes, devem procurar fazer é conciliar aquilo a que chamam meios com aquilo a que chamam fins, tendo sempre na mais elevada consideração os meios, porque estes, sendo as ações fins em si mesmas, não são justificáveis pelos seus fins.

2 comentários:

H. Santos disse...

Concordo, mas não se aplica a todas coisas, o tema "meio justifica o fim" é extremamente relativo.

Cármen disse...

H. Santos: O meio nem sempre justifica o fim, porque há mais fatores para além do meio a interferir na concretização do fim; mas, para mim, o fim nunca justifica um mau meio.