sexta-feira, 8 de outubro de 2010

o sexo do cérebro

Há muito tempo que me venho a debater sobre uma questão que me confundia imenso:

Por que são as raparigas, de forma maioritariamente esmagadora, muito sensíveis e delicadas, "femininas"?

Sempre tinha achado que era uma questão de influência social. Para mim, as raparigas em geral tendem a ganhar os hábitos das mães, os hábitos "cor-de-rosa", o mundo das princesas, das Barbies, da fantasia, do sentimento.
Enquanto eu já tenha também sido um pouco assim, não me considerava uma rapariga típica. Eu sempre fui - e tenho vindo a sê-lo cada vez mais - menos emocional do que o normal, sempre fui mais lógica, mais racional, mais universal, sempre desejei separar o "coração" - como se o coração sentisse ou pensasse!... - do cérebro. Isto tornou-me numa pessoa inteligente, reconheço-o, e mais forte. Enquanto que as outras raparigas choravam com muita facilidade, ver-me chorar a mim era uma raridade tremenda. Eram acontecimentos que se contavam, em anos, pelos anos. Entenda-se que isto não tem a ver com uma vida facilitada - muito pelo contrário! -, pois sempre cri - e continuo a crer, mas agora apenas em parte - que isso se devia (totalmente) à forma como fui educada. Fui educada dentro de um "regime" muito disciplinar, exigente, rigoroso, frio. Não nego a existência de amor, mas, enquanto que o meu avô não era de expressar emoções carinhosas, a minha avó dava-me muito amor, apesar de ela ter sido sempre, também, bastante severa.
No entanto, ultimamente, tenho vindo a ficar mais sensível. Agora, entende-se que seja devido a um acréscimo exagerado de dificuldades, que me têm obrigado a crescer ainda mais depressa do que tenho crescido (não será difícil entender que, desde cedo, comecei a mostrar bastante mais maturidade do que o normal à minha idade), mas não se pode dar essa justificação para o facto de me sentir mais confortável ao expressar-me, de estar mais emotiva, mais delicada. Mais mulher.
Comecei, então, a interrogar-me se estaria absolutamente correcta. Afinal, os meus conhecimentos científicos não são por aí além... Interroguei-me, durante meses e meses, de forma consistente, se a sensibilidade teria alguma coisa a ver com a genética. Perguntei a diversas pessoas, nenhuma me soube responder adequadamente. Limitavam-se a admirar como poderia eu chegar a um problema daqueles, como poderia ter interesse por algo assim. Salientaram como era, de facto, mais madura, mas ninguém me deu uma resposta: todos aparentavam estar talvez ainda mais interrogados e confusos sobre a questão, apesar de terem em cima mais trinta, quarenta anos do que eu.

Agora, ao acaso, encontrei um artigo científico que me dá a resposta à minha questão.
O nosso cérebro, independentemente do nosso sexo biológico, pode ser feminino ou masculino, tendo em conta a qualidade e quantidade hormonal que estava presente no ventre das nossas progenitoras, quando estávamos dentro do mesmo, podendo esta diferença sexual ser explicada pela evolução histórica do Homem. Os valores sexuais variam entre 1 e 20, sendo mais masculino quanto mais reduzido for e mais feminino quanto mais elevado for.

Segue abaixo uma hiperligação que explica, de forma mais detalhada, este assunto, tendo, no final, um teste simples e rápido, que nos indica qual o sexo do nosso cérebro. Quanto à minha "diferença", relativamente à maioria das raparigas, explica-se pelo facto de ter tido nível 11 no teste: sou bastante equilibrada, neutra, apesar de ser ligeiramente mais feminina do que masculina.

Ciência e Tecnologia (Notícias): O sexo do cérebro

9 comentários:

Sílvia disse...

Achei este artigo muito interessante!
Eu lembro-me de ser muito emotiva quando era mais nova, mas a certa altura mudei radicalmente. Agora as minhas emoções estão a vir ao de cima, mas ainda é muito difícil para mim conseguir exprimir-me como deve ser.
Vou fazer o teste para ver o que dá :P

Sílvia disse...

"VOCÊ FEZ 10 PONTOS
Seu cérebro é misto, tanto masculino quanto feminino."

Isto é que é equilíbrio, hein? xD

Cármen disse...

Sílvia: Eu também. É algo que eu desejava muito saber e aí está. Muito interessante mesmo... A forma como se transmitem os hormonas para os filhos, a forma como isso influencia a sua mentalidade... Afinal, a personalidade sempre é hereditária!

Também já me tinham dito que a sexualidade de alguém tem a ver com os hormonas produzidos, mas eu não entendia como uma mulher, por exemplo, podia produzir hormonas masculinos. Afinal, são os hormonas geneticamente transmitidos... Fantástico!
Há pouco deu-me 11, mas havia respostas incertas. Agora refiz, de forma sincera, e deu-me 10. É a mesma coisa. Já um amigo meu ficou frustrado por ter 12. Como se isso não fosse previsível... :))

Andreia André disse...

eu tive 11 pontos xD

Alexandre Garcez disse...

Eu fiz quatro pontos, isso significa que eu sou bem racional, lógico mas consigo caprichar com um pedaço do feminino... legal isso para a ciência, pena que para à Igreja (Católica) e para à Psicologia isso seja um pouquinho diferente. HEHE.

Muito bom em Carmén! E a revista é do Brasil.

Anónimo disse...

Olá, aqui fica um comentário um bocadinho longo, não leves a mal. :P

"[...] sempre desejei separar o "coração" - como se o coração sentisse ou pensasse!... - do cérebro."

Não sei se sabes, mas na China, isso não existe. Aliás, existir existe, mas não dessa forma.

De facto, li algures que o caracter - e não sei ao certo se foneticamente será o mesmo - para a palavra "Coração" é o mesmo para a palavra "Mente", porque os Chineses sempre acreditaram (e com muita razão, na minha opinião) que o coração e a mente não deveriam ser separados, mas sim juntos, pois não se pode fazer algo sem o outro. Com todas as diferenças físicas e científicas que existam e sejam até mesmo reconhecidas, no final, ambos são inquestionavelmente um e o mesmo ser.

Tenho a impressão que vais fazer algum comentário em relação aos orgãos e da medicina. Mas eu não falo dos orgãos, não. Isso seria impossível, sendo que um se situa na cabeça e o outro no tronco (creio que o cérebro não caiba na garganta, mas não tenho a certeza quanto ao coração. :P). Falo do coração e do cérebro dentro do contexto em que os utilizaste - o de sentir e o de pensar.

Acho que devias ter utilizado Mente em vez de Cérebro para que ficasse melhor. :)

Li o teu comentário em relação à personalidade ser hereditária. Sinceramente, espero que estejas a ser irónica. Eu mesma sou muito diferente da minha família, das poucas artistas entre cientistas e engenheiros, e com uma mentalidade em relação ao mundo completamente diferente. Não é facil, e muito menos hereditário.

Um pouco fora do contexto: não te devias fiar tanto no que sai nos jornais ou sites de notícias. O Governo esconde muita coisa, o próprio WikiLeaks que o diga. No estrangeiro chegaram a tentar desacritar o site, mas isso não muda o facto de conter informação visívelmente verdadeira.

Espero que tenhas um bom dia. :D
-Anónimo

Cármen disse...

Alexandre Garcez Eu não concordo com a tua interpretação. A minha interpretação desta teoria e do teu resultado é que tu és masculino intelectualmente, sentes atracção por mulheres e és mais forte e resistente do ponto de vista emocional, menos delicado. O facto de seres lógico ou racional não depende tanto do teu sexo. Repara: pessoas de nível 1 e pessoas de nível 20 têm algo em comum - são muito fortes, do ponto de vista da emoção; o que as difere é o tipo de emoções, sendo a pessoa de nível 1 mais inclinada para a zanga, para a força, a robustez, enquanto que a pessoa de nível 20 está mais inclinada para coisas mais adoráveis.

Anónimo: É claro que não levo a mal.
É claro que não vou fazer nenhum comentário relativo aos órgãos, não era isso que queria dizer.
Eu sei que "mente" e "cérebro" são realidades diferentes. A minha ironia era essa mesmo. "Cérebro" e "coração" são apenas dois órgãos e o coração, por si só, não pensa, nem sente. Todas as emoções provém da mente, que reside no cérebro. Julguei que fossem perceptíveis a metáfora e a ironia com o comentário que introduzi entre travessões. As pessoas dizem que o coração é que ama, que "o meu coração é teu", como se o coração fosse mais do que um músculo com a finalidade única de bombear o sangue. Eu referia-me, então, ao meu desejo de ser racional e não permitir que uma emoção ou um sentimento interferisse na ideologia, no pensamento, na razão. Kant faz essa diferença, ao apresentar-nos o imperativo categórico: para um pensamento mais justo e correcto, este tem de ser universal e, por isso, independente dos sentimentos e das emoções. Eu referia-me ao desejo de avaliar as situações de forma lógica e racional, não deixando que falácias ou emoções, como o afecto, se sobrepusessem à razão.

Cármen disse...

Anónimo: Ilustro esta ideia com o seguinte exemplo: há casais de namorados que mudam um pelo outro. Um membro do casal passa a ser arrogante e imperativo, ordenando ao outro que não fale mais com pessoas por cujo sexo tenha atracção (no caso dos heterossexuais, pessoas do sexo oposto; nos homossexuais, o mesmo sexo). O outro membro acata essa ordem e deixa de falar aos seus amigos, por mais que estes não lhe tenham dado motivos para tal, só porque o outro ordenou e o ama. Ora, isto para mim, é errado. Está a guiar-se por um sentimento e a excluir a lógica e a razão.
Quanto ao meu comentário sobre a hereditariedade da personalidade, não estava a ser irónica. Nós não somos necessariamente aquilo que os nossos antecessores foram, eu sou a prova real disso, porque tenho ideias completamente opostas aos restantes membros da minha família. Porém, há uma parte da personalidade que é hereditário (não porque seja igual ao dos nossos progenitores, mas sim porque adquirimo-la através deles), que é aquilo em que se baseia esta entrada. Segundo esta teoria, a nossa sensibilidade e a nossa atracção sexual depende em grande parte da quantidade de testosterona (do pai) acumulado no ventre (da mãe). Se eu sou assim, talvez o deva em grande parte ao equilíbrio hormonal em que o ventre da minha mãe se encontrava enquanto eu estava lá dentro.
Quanto à fidelidade das informações, eu tenho perfeita noção disso. Se me apresentarem uma proposta oposta, eu poderei aceitá-la. Há que ter em conta que, para além do que tu disseste, a ciência é um campo muito útil, mas muito fraco, refutável, e o seu problema começa na base.
Obrigada, tem também um bom dia. :)

Pedro Miguel disse...

Penso que tem tudo haver com a idade, e com as situações "favoráveis/desfavoráveis" que acontecem na vida. É tudo uma questão de gosto, e maneira de ser ensinado.