segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

12. Carta à pessoa que mais odeias/que te causou muita dor

Conteúdo para Adultos


Em seguimento de masoquismo ou culto próprio?. 

    Um passo, dois passos. Uma pancada. Duas, três, quatro pancadas. Cinco pancadas. Seis, sete, oito, nove pancadas. Dez pancadas. Onze.
      A adrenalina percorre todo o meu corpo e arrepia toda a minha pele. Contorço o pescoço, numa tentativa de afastar o pensamento da memória. Custa-me relembrar, a sangre frio, sem aquecer.
      Olha bem para mim. Não pretendo intimidar-te, mas olha para mim, bem fixamente nos meus olhos. Sentes a raiva chegar até ti? Eu sinto-a sair de mim. Acreditas mesmo que o medo me enfraquece? Enganas-te. Oh, se te enganas! O medo faz-me violenta. Fortalece o meu lado animal.
      Tens, pois, a certeza de que pretendes continuar? Achas mesmo que, ao me tocar dessa forma, te respeitarei? Queres mesmo levar isto até ao fim?
       Pois então leva. Toca-me dessa forma pseudopossessiva. Sente-te poderoso. Faz comigo o que tens sempre feito e que o fazias com todos os outros -- e bate-me. Bate-me tanto quanto quiseres. Rasga a delicadeza que esconde, cinicamente, o pudor dentro de mim. Bate-me mais. Descarrega em mim os teus problemas. Bate-me, bate-me muito. Finge que, assim, eles passam a ser meus. Bate-me com força. Finge que o demónio está em mim e faz das tuas mãos água benta. Bate-me! Faz de mim o que tu quiseres.
       Veremos, no fim, qual de nós dois rirá.

2 comentários:

Damien Hamson disse...

A raiva é uma toxina mortal que se liberta no corpo. Toma conta dele, membro a membro, entra nas veias e circula. A vingança e o ódio tomam conta de ti. Agora, é tarde demais.

Cármen disse...

Damien Hamson: Interpretaste-me mal. :) Na conclusão, eu referia-me à felicidade aquando da separação. Enquanto que quem descarrega a raiva em mim continuará enraivecido, porque o problema está dentro dele, eu continuarei passiva e poderei continuar a ser feliz, porque não aderi ao ódio que me queriam passar.