terça-feira, 8 de novembro de 2011

folhas que o vento sopra


Pelo mundo vagueio, fantasma da minha própria vida. Sombra esvoaçante, dançarina volante do vento, que me guia através deste mundo tempestuoso que me cerca.
Rasgões brancos de um projeto que outrora fora parcialmente meu - e que, embora moribundo, é hoje íntegro da minha autoria. Autoria essa que é negada, projeto que é rabiscado, amachucado, atirado para longe.
O vento tenta trazê-lo de volta ao lugar a que pertence, guiando-se unicamente pelo seu instinto de dever e autonomia, conferido pelo trapo de mim que ele deseja conduzir. Deste modo, esta condução torna-se violentamente torbulenta, principalmente porque o vento não desiste de encontrar o lugar prometido à bandeira agora, e em ritmo de recuperação desigual, semi-desfeita.
Porque não: a bandeira nunca conseguiu ser hasteada. Não tem casa que a sustente, e tem buracos de tecido que não conseguem ser cozidos sem que se note que não é essa a malha devida. Sem que não se note que as suas fendas não conseguem ser tapadas com motivos insubstituíveis. Único, cada pedaço rasgado.
Por isso, eu, fantasma da minha própria vida, que sou o vento e a sombra, o projeto e a dançarina, o sol e o mar; eu, que sou muito mais do que aquilo em que nada sou, canso-me de bailar sem coreografia definida, com probabilidades improváveis.
Com esperanças desfeitas, projetos rasgados. E, sobretudo, de calçada quebrada, sem pertença distinguível.

10 comentários:

Riga/V-1-Boy disse...

=/

Cármen disse...

Riga/V-1-Boy: :) Não te preocupes, eu levanto-me.

H. Santos disse...

Claro que se levanta, até porque sempre o fez xD

Cármen disse...

H. Santos: Não é por sempre o ter feito que consigo continuar a fazê-lo. Faço-o porque não podia deixar de o fazer, sendo um dever.

H. Santos disse...

A menina percebeu a ideia :P

Cármen disse...

H. Santos: Peço desculpa se o meu impulso de fechar todas as lacunas de pensamento que avisto o ofendeu, senhor. :p

H. Santos disse...

Não precisa de pedir desculpa, é que sempre pensei que "para bom entendedor, meia palavra basta", mas afinal estava errado... Peço perdão pelas lacunas :P

Cármen disse...

H. Santos: O facto de entender bem não significa que não procure assentar o meu pensamento em palavras o mais rigorosamente corretas possível. :)

Hayley Nya* disse...

Olá! Não sei se o texto se aplica a algo que se passou contigo mas não deixa de ser artístico e belíssimo :) No entanto, a mensagem que deixas se for aquilo que sentes, há que levantar a cabeça e ultrapassar tudo! :) um beijinho! ^^ Já tinha saudades de passar por cá! :D

Cármen disse...

Hayley Nya*: Foi comigo sim, infelizmente... mas já levantei a cabeça, não te preocupes. : Obrigada.