terça-feira, 1 de março de 2011

um ombro amigo e parvo anima sempre

- Que se passa? - perguntou-me o Rafael, preocupado.
- Não falemos disso. Há bocado estava a falar com o Zacarias, um assunto puxa o outro... Olha, deve ter sido uma hora a chorar. E foi porque eu queria estudar e parei.
- Toma atenção numa cena. Tudo bem que o Zacarias é feio. Mas daí a chorares... dá pena, meu!

É este tipo de idiotas que tenho como amigos que me fazem rir nos piores momentos. Eu pergunto-me como será possível. A sério que não entendo.

17 comentários:

S. disse...

Cara amiga Cármen, é com prazer que a informo de que para variar... fui corajosa :D
E é verdade: não há nada como os nossos amigos xD

Anónimo disse...

Também, para que é que queres saber? As melhores coisas são inexplicáveis, deixa continuar assim! :D

Assinado: Taradona (Já não me chamas isto há bastante tempo!)

Adriana disse...

Sim, é, de facto, inacreditável e definitivamente magnífico. É que, por muito que uma pessoa queira chorar que nem uma madalena arrependida, gritar a plenos pulmões, culpar o mundo pela nossa desgraça e fazer com que todas as alminhas saibam que a vida é uma miséria, há sempre um indivíduo, uma entidade amigável, que, vá-se lá saber como, pressente a nossa mágoa e, com uma qualquer técnica oculta, só conhecida pela mais elevada elite de Amigos, sai-se com uma daquelas baboseiras, ridiculamente simples e barbaramente óbvias, que nos deixam com um sorriso parvo na cara, como que evidenciando a nossa impotente rendição perante a inefável estupidez de uma tamanha amizade. E isto não é, nem de perto, o mais inacreditável de toda a situação; é que essa piada, geralmente mais seca que o deserto do Saara, tem a inatingível capacidade de nos distrair da escuridão de alma que, no espaço de meros minutos antes, nos entristecia o coração. Sim, é, de facto, brilhante e definitivamente gratificante. É, portanto, devido a isto e a muito mais, a tudo aquilo que fazem por nós, voluntária e involuntariamente, que adoramos os parvos dos nossos amigos. E, dito isto, resta só um sincero "muito obrigada" para vocês, caríssimos camaradas.

Cármen disse...

Anónimo (Taradona): Tenho de discordar, desculpa-me. Quanto mais tentarmos compreender as coisas, mais interessantes elas se tornam, o que é melhor do que deixá-las intactas.

Adriana: Ena, ena! A cientista conseguiu armar-se em sofista e reconstruir o seu eloquente discurso acerca da amizade. Está tão belo que chega a enjoar. Estes adornos não são comigo... Mas gosto da forma como expões a estupidez como engraçada e defendes o interesse no afecto com pessoas parvas. É engraçado. A mim estes meus amigos lembram-me crianças pequenas e ingénuas que se tornam tão adoráveis aos meus olhos que só me dá vontade de os abraçar. Mas um facepalm também vem a calhar, nessas alturas... :D

Adriana disse...

Ah ah ah!!!!
Sim, realmente, "facepalm" nisso!! xDD
Pois, estilos diferentes, os nossos. Na minha opinião, ambos têm o seu mérito =) E para sua informação, os cientistas também podem ter outras facetas! Que a vida não são só moléculas! xDD

Cármen disse...

Adriana: É claro que não. Para alguma coisa, temos o hemisfério direito do cérebro!

Adriana disse...

E viva o hemisfério direito! xD

Rui disse...

Eis uma vantagem de se ter amigos. Há sempre algum que nos consegue animar, mesmo nos piores momentos. Por vezes, mesmo que não queiramos falar com ninguém, ou mesmo ver alguém à nossa frente, há sempre alguém disposto a avançar e tentar ajudar-nos. Falo por mim, se um amigo meu estiver mal, mesmo que ele recuse, eu tento sempre ajudar. Nesses momentos é que se vê se temos realmente amigos (ou não), e se o sentimento de amizade é ou não mútuo. Se realmente nos apoiarem, então sim, são amigos.
Acho esta situação que aqui expões engraçada, pois um amigo teu deprecia outro amigo teu, mas de maneira a fazer-te rir, pois ele quer-te animar e sabe que estás mal. Teve uma boa intenção. No entanto pergunto-me se essa boa intenção não terá sido usada para esconder uma outra má, ou seja, ofender o outro rapaz, pois pode tê-lo feito apenas para te fazer rir, não sentindo o que disse, ou, pelo contrário, pode mesmo sentir o que disse, e aí já é outra história.
Mas o que interessa foi que te animou. No entanto, se não concordas com o que ele disse, deves defender o teu outro amigo, pois assim irás também tu cumprir o teu papel como amiga.
Não achas as relações entre os seres humanos algo fantástico de se observar e, mais importante, de se fazer parte?

Cármen disse...

Rui: O Rafael sabe perfeitamente o que acho acerca daquilo. Ele foi estúpido de propósito para me fazer rir. Embora ele seja brincalhão e não ache o Ruben muito bonito, ele não é de dizer estas coisas com convicção, porque não é de fazer mal aos outros. Acontece muito na minha turma gozarmos uns com os outros, mas, pelo menos na maior parte das vezes, é apenas para brincarmos uns com os outros. O próprio Rafael, por exemplo, é gozado por nós na brincadeira como sendo o Rufus, o nosso cão. Sempre que se fala de cães ou algo do género há uma piada direccionada a ele. Normalmente, quando há críticas realmente intencionais, é para que entendam que estão a agir mal e possam melhorar ou porque nos sentimos desrespeitados ou ofendidos - normalmente este tipo de desacatos sou eu quem gero. :))
Ainda hoje falámos acerca disto. O Ruben estava numa mesa, distante, e eu, o Rafael e mais algumas pessoas estávamos numa mesa próxima. Eu contei-lhes desta piada e alguém disse que, no fundo, ele não dizia mentira alguma. Foi aí que eu protestei. Eu não o Ruben minimamente feio. O Rafael assumiu que não o acha assim nada de belo, mas que não o acha assim tão feio quanto isso.
Foi por isso que ontem, em vez de me chatear, como seria de esperar, me desmanchei a rir, apesar de estar a chorar - porque soube que era apenas para me animar. Mas olha que nem sempre nos conseguem animar e nem sempre se vêem os amigos nestas situações. Eu, por exemplo, considero-me uma boa amiga e, no entanto, embora queira ajudar, prefiro respeitar o espaço dum amigo que sofre se este não quiser, naquele momento que eu o ocupe. Eu tento sempre entender o que o fará sentir melhor - e, por vezes, entendo que o que o fará sentir melhor será ficar sozinho temporariamente. Às vezes sabe realmente bem discutirmos sozinhos, sem interferências ou presenças alheias.
E sim, de facto, as relações humanas são muito interessantes. Não sei se é por serem humanas, se é por serem relações - porque tudo o que tem a ver com relacionar e ligar agrada-me, nem que sejam apenas factos históricos ou naturais. Pensar é comigo. :)

Rui disse...

Concordo inteiramente com o que disseste, que, aliás, está muito bem dito, como já seria de esperar. ;)
Já agora, gosto dessa tua qualidade de seres "espalha brasas", quando dizes que começas quase sempre os desacatos. LOL

Cármen disse...

Rui: "Espalha brasas"?! xD É a primeira vez que definem esta minha característica de pôr tudo em causa e de não ter medo de dizer o que penso, mesmo que seja desagradável, dessa maneira. É uma boa expressão... :))
Essa vossa mania de falarem bastante só para ver a minha reacção... e depois chamam-me essas coisas! Vocês provocam-me...
Obrigada. :)

Rui disse...

De nada! Mas não é bem por isso que utilizo essa expressão, é mais pelo facto de seres tu a começar os desacatos. :P
Essa tua "característica de pôr tudo em causa e de não ter medo de dizer o que penso, mesmo que seja desagradável", eu prefiro entendê-la como uma manifestação de autonomia, irreverência e um óptimo sentido crítico.

Cármen disse...

Rui: Pois, mas esses desacatos, que eu gero, são normalmente por causa disso, por causa do meu sentido crítico e da minha autonomia. É que se eu estivesse calada, continuava tudo (na mesma merda) calmo e não havia discussões.
Obrigada, uma vez mais. :)

Rui disse...

Ora aí está! Se mais gente pensasse assim (e eu penso da mesma maneira), o nosso país não estaria neste estado "pantanoso" em que se encontra.

Cármen disse...

Rui: Não me vou alongar por aí, porque sabes como sou (então a falar de política...), mas concordo contigo. Não gostava que TODOS fôssemos assim, mas devia haver mais pessoas assim. Já não é uma questão de coragem ou de inteligência, mas sim de civismo e interesse pelo que é realmente importante.

Adriana disse...

Muito bem, Ruizinho, bem dito xD
Isto é muito giro, ver-vos assim a discutir estes assuntos =) Mas sabes, Rui, acho que estava bastante claro o sentido totalmente não depreciativo do comentário do tal amigo da Cármen. Porque se entende que quando há estas brincadeiras, a intenção não é ofender, mas sim fazer rir, ainda que seja "à custa" de outros. Não é imoral, é engraçado xb
Eu não chamaria "espalha brasas" à Cármen, porque, embora perceba o sentido com que o disseste, não me parece que seja bem esse o sentido da expressão. Ela é mais... uma manifestação inteira, daquelas que entopem Lisboa, encafuada dentro daquele corpinho de metro e meio xD Uma concentração polvorosa. Dêem-lhe lume, que ela explode xD Naturalmente, é uma manifestação que se faz ouvir pela razão e a pólvora é de qualidade!

Rui disse...

Sim Adriana, até tem a sua piada. LOOL
De facto, concordo contigo. E sim, noto que a intenção principal dele era animar a Cármen. Se tinha ou não uma 2ª intenção, isso já não sei, mas é provável que não. Geralmente, em momentos como estes, só pensamos no que é mais importante (ajudar) e em nada mais.
E já agora, a Cármen é mais do que uma manifestação comprimida num corpo... ela é uma verdadeira "bomba atómica"! xD