quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tantos muros

Quando fez dez anos que derrubaram
O muro que dividia o mundo,
Um mundo antes repartido
Por interesses desiguais,
Tantos e tantos comemoraram
Pois o "muro da vergonha"
Agora não existiria mais.
E então não existe mais vergonha?
Enfim aprenderam a repartir as flores?
O sorriso já não morre nas crianças?
O sangue corre apenas pelas veias?
Já extraíram da política a peçonha? (...)
Os oceanos não se encontram mais doentes? (...)
E então?
E tantos comemoraram
A queda de um muro a mais,
Mas tantos nem se lembraram
Que dividindo este mundo
Ainda há tantos muros iguais.

Francisco Simões

3 comentários:

Christian V. Louis disse...

Por vezes, nem é uma visão tão universal assim. Por vezes, nós mesmos criamos nossos próprios muros em nossas rotinas.

H. Santos disse...

Os muros são mentais...
Pois conheço quem, supostamente, vive em muros, mas é extremamente livre, pois tem uma mente indomável...

Tu sabes quem é ;)

Cármen disse...

Christian V. Louis: É precisamente por haver muitos indivíduos a construírem muros neles próprios que os muros físicos são construídos.

H. Santos: :$
Se os muros não fossem mentais, não eram construídos. ;)