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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Mudanças

     Era só para avisar que mudei de conta. A pessoa é a mesma, os blogues são os mesmos, tudo é o mesmo, menos os links. Links direcionados para a antiga Cármen não terão mais validade.
     O mesmo se passará com o url do blogue, que deixará de ser cween-crazy.blogspot.com, para ser controlo-demente.blogspot.com.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

COMUNICADO

     Queria avisar os meus caros leitores de que reorganizei a barra de separadores do blogue. Agora, para além de terem acesso aos textos que mais gostei de escrever, à explicação do nome do blogue e à definição da pessoa por detrás dos textos, é mais fácil acessar às minhas histórias com maior dimensão, as que foram divididas em capítulos. Basta clicar em Estadias para terem acesso a uma compilação dos cantos onde me demorei mais.
     Queria também anunciar que retomarei uma história abandonada por falta de ideias, O Homem dos Bolos.
     Boas férias a todos!

sábado, 5 de novembro de 2011

heterobiografia

«É pequena, e diferente.
Quem olha para ela vê uma pessoa normal: com os seus problemas, divertida, extrovertida - mas nunca profunda.
Há já algum tempo apercebi-me de ela ter duas faces. Como eu, adapta-se às pessoas com quem está, consegue mudar a sua forma de agir em segundos. Talvez com uma pessoa normal, ela seja igual a todas as outras pessoas, mas ela é muito mais profunda do que isso!
Apenas mostra a sua segunda faceta com certas pessoas - felizmente, eu sou uma delas. É filósofa, inteligente, preocupada com coisas que vão muito além do interesse geral, e é uma excelente escritora, conseguindo captar inspiração de qualquer coisa.
Esta sua segunda faceta, esta sua verdadeira faceta, é apenas para alguns. Apenas para os que não têm preconceito, para aqueles que conseguem aceitar. Para aqueles que dão valor à mente.»

De um recente, mas bom amigo.

sábado, 29 de outubro de 2011

Condutora

Sou um livro complexo, difícil de ler.
Não gosto de me despir para os outros, prefiro ser despida pelos outros - demoradamente, subtilmente. Porque para se despir alguém dessa forma é necessário ir obtendo autorização aos poucos e poucos a cada porção de corpo para ser despida. É necessário ter em consideração a forma como a pessoa se sente e como pensa para se conseguir chegar até ela, caso ela não se dê imediatamente. É preciso, portanto, dar importância à pessoa objeto de estudo.
E é assim que gostava que todas as pessoas fossem. Mas que unicidade teríamos nós, livros que se deixam ler apenas por leitores atentos, se elas o fizessem?
As palavras estão todas lá, não me recuso a ser compreendida. Aceito qualquer leitor que se candidate a ler-me. O que me distingue é que faço propositadamente de forma a que apenas alguns me queiram ler, a que apenas alguns me conheçam. A apenas aqueles que, a meu ver, valem a pena. Apenas os que realmente merecem conhecer-me se esforçam por me compreender.
Creio que é por isso que, não obstante a minha devoção à literatura, não sou uma escritora muito conhecida pela blogosfera.
É preciso intelectualidade para me apreciar como mais do que o mero animal social que na prática por vezes transpareço ser: a rapariga que, despreocupada com a aparência física, conhece quase toda a gente, se dá bem com quase todas as pessoas que conhece e é facilmente encontrada, devido à frequência e à sonoridade com que ri. Porque eu não penso apenas, não sou toda profunda. Tenho a minha superfície, que se revela uma criança risonha.
Sou, portanto, difícil de reconhecer enquanto escritora para quem me conhece a partir da superfície e difícil de reconhecer enquanto espírito alegre e brincalhão para quem me conhece a partir do fundo. É preciso conhecer-me a partir do intermédio para poder considerar normal a minha bipolaridade. É preciso, por exemplo, ver-me ou ouvir-me conversar com alguém com quem me dê bem. Elejo esta situação como uma boa representação do exposto porque, enquanto converso, sou, por um lado, de sorriso fácil e, simultaneamente, de palavras complexas.
Não são precisas, em suma, cortesias para ter a minha atenção, mas é preciso intelectualidade para eu ter a atenção dos outros.

Transporte

Controlo Demente... Porquê Controlo? Porquê Demente?
É um nome, a meu ver, intrigante para um blogue. Obriga a refletir para a compreensão da sua adoção.
É assim que eu gosto de me apresentar: como um livro que não se recusa a abrir, mas que não se abre completamente de livre vontade.
Para eu não entregar superficialmente o meu íntimo, deixando-o, por isso, podre e oco, torna-se, não obstante, fulcral cultivá-lo algures.
Durante muito tempo, guardei-o para mim, cru, completo. O resultado dessa atitude foi sufocar-me em mim própria, nas minhas próprias emoções. Abster-nos de nos expressar custa demasiado. Não tendo com quem me expressar, porque ninguém parecia interessado em me olhar para além dos meus olhos, e, não produzindo arte, acabava por nunca me expressar, o que me remetia a uma profunda agonia de sentimentos que me impedia de pensar racionalmente. Eu sentia que precisava expelir o que sentia, mas não tinha com quem.
Não achando confortável esse conforto que é não nos potencializarmos, decidi fazer-me à estrada e percorrer o caminho que eu própria ia criando. Esse caminho chama-se Controlo Demente.
Controlo porque é a gestão das minhas emoções, que permitem libertar-me de fatores que condicionam a minha ação e que, sem o fazer, me impediriam de caminhar com os meus próprios pés.
Demente porque, propositadamente, não controlo as minhas emoções na íntegra, para que não me torne individualista e fria. Este termo foi eleito após analisar o meu tipo de escrita, que, sobretudo naquela altura, é caraterizada pela forma psicadélica, com uma conotação um tanto ou quanto surrealista.
Assim, dentro duma viatura feita de tristeza, felicidade, raiva, cansaço, calma: uma viatura de tejadilho aberto, vou inundando cada pedaço de estrada com paixão, deixando evidente o amor que transborda do mundo até mim e de mim a todo o mundo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Die die die. Game over.

Gamer

So, you want to
Try again?

Each time
Life count drops
The sweaty buttons
Sticky under practised
Fingers.
Click click click.

Level up.

Moving on. Blood
Pumping, pounding.
Rounding corners
Juddering lights
Swatting away the
Opposition.
Bang bang bang.

Level complete.

Fuzzy pixels swarming
Forming the tiny person
Character. You.
A twisting maze of
False reality.
It's safe here.

Would you like to Save?
[Yes]<   [No]

Time is running out.
Leave, fall out!
Specks of light
Whizzing past
Turning, aiming
Die die die
Falling.

Game Over.


deep sleep by ~raineese on deviantART

terça-feira, 1 de março de 2011

um ombro amigo e parvo anima sempre

- Que se passa? - perguntou-me o Rafael, preocupado.
- Não falemos disso. Há bocado estava a falar com o Zacarias, um assunto puxa o outro... Olha, deve ter sido uma hora a chorar. E foi porque eu queria estudar e parei.
- Toma atenção numa cena. Tudo bem que o Zacarias é feio. Mas daí a chorares... dá pena, meu!

É este tipo de idiotas que tenho como amigos que me fazem rir nos piores momentos. Eu pergunto-me como será possível. A sério que não entendo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

masoquismo ou culto próprio?

 
Se, por um lado, forçar-me a fazer algo pode ser encarado como um masoquismo, porque um desafio desta ordem trar-me-á mais trabalho e forçar-me-á a rever memórias e sentimentos que tenho enterrado; por outro lado, será uma tempestade que forço a cessar. O rio Trancão está razoável na superfície, mas, como diz o meu professor de Geografia A,
- Que ninguém se lembre de remexer o que está no fundo!
Ora a isto diria a minha cara amiga Sílvia:
- Por que não?
Ela acharia que a limpeza do rio seria árdua, mas depois de toda a sujidade levantada e removida, apenas a água límpida correria... E talvez ela tenha razão.

Tudo isto para dizer que vou aceitar um desafio proposto por ela, que consiste em cumprir uma lista de cartas (embora que nunca entregues realmente) que forçam a imaginação e o confissão de memórias - o que me potencializará a escrita e me libertará de pesos mortos, tornando-me, quer num aspecto, quer noutro, mais forte.

Eis a lista:
  1. Carta ao/à teu/tua melhor amigo/amiga;
  2. Carta à tua paixoneta;
  3. Carta aos teus pais;
  4. Carta ao/à teu/tua irmão/irmã (ou o mais relativamente próximo);
  5. Carta aos teus sonhos;
  6. Carta a um estranho;
  7. Carta ao teu/tua ex-namorado/ex-namorada/antigo amor/antiga paixoneta;
  8. Carta ao teu amigo da internet favorito;
  9. Carta a alguém que desejavas conhecer;
  10. Carta a alguém com quem não falas tanto quanto desejarias;
  11. Carta a um falecido com quem gostavas de falar;
  12. Carta à pessoa que mais odeias/que te causou muita dor;
  13. Carta a alguém que desejavas que te perdoasse;
  14. Carta a alguém de que te afastaste;
  15. Carta à pessoa de quem mais saudades tens;
  16. Carta a alguém que não está na tua cidade ou país;
  17. Carta a alguém da tua infância;
  18. Carta à pessoa que desejavas puder ser;
  19. Carta a alguém que importuna a tua mente - positiva ou negativamente;
  20. Carta àquele/àquela que mais destroçou o teu coração;
  21. Carta a alguém que julgaste à primeira vista;
  22. Carta a alguém que tu queres dar uma segunda oportunidade;
  23. Carta à última pessoa que beijaste;
  24. Carta à pessoa que te deu a tua melhor memória;
  25. Carta à pessoa que tu sabes que está a passar pelos piores tempos;
  26. Carta à última pessoa a quem fizeste uma promessa do dedo mindinho
    Carta a alguém que te inspira;
  27. Carta à pessoa mais amigável que conheceste por um dia;
  28. Carta à pessoa que mudou a tua vida;
  29. Carta à pessoa que queres contar tudo, mas que estás demasiado receoso/receosa;
  30. Carta ao teu reflexo no espelho.
Vamos ver como me dou com isto.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Muse: Invincible


Follow through, make your dreams come true. Don't give up the fight! You will be all right, because there's no one like you in the universe. Don't be afraid of what your mind conceives. You should make a stand - stand up for what you believe and tonight we can truly say together we are invincible!
During the struggle, they will pull us down; but please - please! - let's use this chance to turn things around and tonight we can truly say together we are invincible!
Do it on your own - it makes no difference to me what you leave behind, what you choose to be and whatever they say - your soul is unbreakable! (...)

Esta música diz-me tanto... E aí está um excerto dum DVD que me cativou imenso, o HAARP, o qual recomendo a todos os simpatizantes de Muse. É dos mais emocionantes que já vi, ao lado de The Final Riot!, dos Paramore, e de Bullet In A Bible, dos Green Day; que também recomendo a quem gostar destas bandas.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

rapto

O dia tinha estado esplêndido. Durante toda a manhã o céu tinha-se coberto todo ele de nuvens e frio, com um pequeno decote brilhante; com esse sol, misterioso e que não havia meio de aquecer, lembrava-me a imagem de uma jovem senhora, num robe branco, rendilhado e transparente, que deixa passar uma névoa elegante e sensual da riqueza natural e imediata.
Era agora final da tarde e o céu preferia recolher aquele toque suave de bom tempo de Inverno. Agora escurecia, restando apenas a neblina e a causa do robe da senhora. Estava eu ora em profunda meditação, no relvado do parque, quando um zum-zum longínquo começou a tentar-me. Estranho murmurar esse, que nem era humano, nem tecnológico. Não vendo do que se tratava, tal era a minha impotência do sensível, nada mais fiz. Retomei a contemplar o chão macio e húmido, vagueando na reflexão da psíquis. O "zum-zum" intensificava-se, mas era agora cada vez menos digno e (por isso mais longínquo) da minha atenção. Queria concentrar-me, chegar a uma conclusão. Ora! Era, afinal, para isso a que estava destinada; a interrogar a minha consciência e a fazê-la responder a todas as perguntas, até mesmo - e principalmente essas - àquelas que são tão fora da prática que as pessoas, ignorando a sua utilidade, costumam ridicularizar ou abandonar. Mas e esse barulho, cada vez mais perturbador, que não findava? Irra! Fez-me voltar os olhos aos céus e neles focar o interesse. O vento era cada vez mais forte, como que provocado, dando uma sensação de helicóptero a sobrevoar-me; por outro lado, nunca tinha ouvido um único transporte aéreo soar daquela forma, a menos que agora também os frigoríficos voassem! Dadas todas estas inovações tecnológicas e a rapidez a que eram substituídas por novas... não me admirava de todo.
Um vulto escuro e oval, cada vez menos indistinto, aproximava-se. Arregalei bem os olhos. Não podia ser!... Depressa, tenho de me esconder! Não é possível!... Como?! Não pode..., pensei. Felizmente, tinha rochedos por perto. Abrigado nos pedregulhos, esperava impaciente e nervosamente que aquilo saísse dali. Não era verdade... não podia! E que barulho ensurdecedor!
Uma porta abriu-se e um foco abateu-se sobre mim. Tal era o meu pânico que gritei com todas as forças que tinha, entre lágrimas; de tal modo que eu própria acordei.

É o que dá ouvir este tipo de músicas antes de adormecer... ._.

sábado, 16 de outubro de 2010

I cannot stop myself

Não está perfeito, mas encantou-me, ao tentar acompanhar os movimentos do arco e do corpo da rapariga com os olhos.


I need your discipline... I need your help! I need your discipline, because once I start I cannot help myself!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

o sexo do cérebro

Há muito tempo que me venho a debater sobre uma questão que me confundia imenso:

Por que são as raparigas, de forma maioritariamente esmagadora, muito sensíveis e delicadas, "femininas"?

Sempre tinha achado que era uma questão de influência social. Para mim, as raparigas em geral tendem a ganhar os hábitos das mães, os hábitos "cor-de-rosa", o mundo das princesas, das Barbies, da fantasia, do sentimento.
Enquanto eu já tenha também sido um pouco assim, não me considerava uma rapariga típica. Eu sempre fui - e tenho vindo a sê-lo cada vez mais - menos emocional do que o normal, sempre fui mais lógica, mais racional, mais universal, sempre desejei separar o "coração" - como se o coração sentisse ou pensasse!... - do cérebro. Isto tornou-me numa pessoa inteligente, reconheço-o, e mais forte. Enquanto que as outras raparigas choravam com muita facilidade, ver-me chorar a mim era uma raridade tremenda. Eram acontecimentos que se contavam, em anos, pelos anos. Entenda-se que isto não tem a ver com uma vida facilitada - muito pelo contrário! -, pois sempre cri - e continuo a crer, mas agora apenas em parte - que isso se devia (totalmente) à forma como fui educada. Fui educada dentro de um "regime" muito disciplinar, exigente, rigoroso, frio. Não nego a existência de amor, mas, enquanto que o meu avô não era de expressar emoções carinhosas, a minha avó dava-me muito amor, apesar de ela ter sido sempre, também, bastante severa.
No entanto, ultimamente, tenho vindo a ficar mais sensível. Agora, entende-se que seja devido a um acréscimo exagerado de dificuldades, que me têm obrigado a crescer ainda mais depressa do que tenho crescido (não será difícil entender que, desde cedo, comecei a mostrar bastante mais maturidade do que o normal à minha idade), mas não se pode dar essa justificação para o facto de me sentir mais confortável ao expressar-me, de estar mais emotiva, mais delicada. Mais mulher.
Comecei, então, a interrogar-me se estaria absolutamente correcta. Afinal, os meus conhecimentos científicos não são por aí além... Interroguei-me, durante meses e meses, de forma consistente, se a sensibilidade teria alguma coisa a ver com a genética. Perguntei a diversas pessoas, nenhuma me soube responder adequadamente. Limitavam-se a admirar como poderia eu chegar a um problema daqueles, como poderia ter interesse por algo assim. Salientaram como era, de facto, mais madura, mas ninguém me deu uma resposta: todos aparentavam estar talvez ainda mais interrogados e confusos sobre a questão, apesar de terem em cima mais trinta, quarenta anos do que eu.

Agora, ao acaso, encontrei um artigo científico que me dá a resposta à minha questão.
O nosso cérebro, independentemente do nosso sexo biológico, pode ser feminino ou masculino, tendo em conta a qualidade e quantidade hormonal que estava presente no ventre das nossas progenitoras, quando estávamos dentro do mesmo, podendo esta diferença sexual ser explicada pela evolução histórica do Homem. Os valores sexuais variam entre 1 e 20, sendo mais masculino quanto mais reduzido for e mais feminino quanto mais elevado for.

Segue abaixo uma hiperligação que explica, de forma mais detalhada, este assunto, tendo, no final, um teste simples e rápido, que nos indica qual o sexo do nosso cérebro. Quanto à minha "diferença", relativamente à maioria das raparigas, explica-se pelo facto de ter tido nível 11 no teste: sou bastante equilibrada, neutra, apesar de ser ligeiramente mais feminina do que masculina.

Ciência e Tecnologia (Notícias): O sexo do cérebro

sábado, 25 de setembro de 2010

a coragem de ser cobarde

Cada passo em frente custa-me muito a ser dado. Ninguém me tem ouvido. Ninguém me tem olhado nos olhos e percebido que não estou bem. Tenho-me sentido tão sozinha e desmotivada que a janela parece-me tentadora.

Costumavas ser a única razão que me mantinha forte, que me fazia ter esperança de ser feliz no futuro, só que eu sei que não te vou ter por muito mais tempo. Eu estou a perder-te progressivamente. Vais ter alta em breve. Vens para casa e quem vai cuidar de ti? Duas das tuas filhas comprometeram-se com a Assistência Social a vir todos os dias cá a casa tratar de ti, mas depois elas vão-se embora e como é? Quem vai alimentar-te? Lavar-te? Mudar-te a fralda? Sendo que eu passo quase todo o dia fora de casa, terá de ser ele, ou vais ficar suja até o dia seguinte, esperando que elas cheguem? Achas que ele consegue assistir a isto e deixar tudo como está? Sabes, contrariamente, o que acontece se ele faz um esforço maior? As vértebras dele estão muito fininhas e separadas; com um esforço, parte as costas. É ele quem vai carregar com o teu peso? Não és propriamente leve... Além disso, trata-lo mal e não queres ver mais ninguém se não a mim. Estás sempre carente e apenas o meu amor te consola. Terei eu tempo para a escola? Vou eu conseguir fazer os trabalhos? Estudar? Não vou! Eu estou por minha conta, com apenas dezasseis anos.

E o que me acontece na escola? Os meus amigos afastam-se de mim. Ninguém percebe que não estou bem. Uns brincam comigo, como se eu tivesse paciência para isso, enquanto que outros parecem fugir de mim.

E o que acontece, quando chego a casa? Ele trata-me como se eu fosse um tapete velho e sujo.

Quando, há quatro anos atrás, eu era uma suicida, deixei de o ser porque comecei a ganhar a esperança de ser feliz um dia.
Quatro anos depois, aqui eu, com o desejo de saltar da janela, com a determinação de acabar com tudo. Tudo porque, quatro anos depois, as coisas apenas ficaram piores e piores.

No meio de tantas lágrimas, contudo, penso o que será dos outros sem mim. Quantas vezes me tinham dito que não conseguiriam ser felizes sem mim? Como será suportar a dor de me perder?
Não, eles irão ultrapassar. Ao fim de algum tempo, irão conseguir seguir em frente a sua vida. Além disso, acaba tudo aqui. Eu não assisto a mais dor, a mais nada. Tenho aqui o fim de tudo. Os outros acabarão por superar e poderão um dia ter uma família, brincar com ela, concretizar objectivos profissionais, serão felizes.
Mas... e a minha avó? Ela está a viver os seus últimos momentos da sua vida. Ela não tem vontade de viver, ela está numa depressão enorme. A única coisa que a faz aguentar mais ou menos a dor é saber que eu preciso dela para aguentar a minha. Ela apenas vive em minha função. Se eu termino a minha vida, a dela termina também. Como vai ela superar os seus problemas de saúde? Como vai ela aguentar viver? Ela não vai conseguir ultrapassar! Ela não o merece!

Perco as forças. Vou de encontro à parede. As minhas costas chocam contra a porta. As pernas fraquejam e deixam-me cair no chão, desmanchada em lágrimas. As minhas mãos puxam os meus cabelos com força e, impotentes, pressionam a sua frustração contra a minha cabeça.
Ainda agora tive um desejo nunca antes tão grande de saltar aquela janela... Estive prestes a suicidar-me!

Agora, neste preciso instante, sinto-me um nojo. Agora desejo morrer, mas não por cobardia, mas sim por ter sido cobarde. Tenho ódio de mim mesma. Frustração.
Tinha sido uma cobarde.
Tinha estado a um ponto de cometer algo contra o qual eu era.

medo da segurança

Custa-me estar a crescer e estar cada vez mais presa.
A minha escola organizou um clube de política para o 12.º ano. Vão ser criadas listas de ideias e alunos e um presidente será eleito para cada lista. Os presidentes das listas juntam-se com os outros presidentes das outras escolas e vão à Assembleia da República apresentar as suas ideias e teses. Vão dialogar com os deputados portugueses no Parlamento.
O corpo docente acha que, apesar de eu não ter Ciência Política nem estar no 12.º, tenho capacidade e estou à altura do desafio, por isso convidou-me a juntar-me ao clube.
Inicialmente, ao telefone, pareceste-me radiante.
Quando cheguei a casa, os meus receios concretizaram-se: não queres, claro está, que eu fique mais forte do ponto de vista argumentativo. Tens medo que eu fique ainda mais segura de mim mesma e consiga ser mais distinta do que o que queres. Não queres que eu seja influenciada por partidos políticos que não são os meus, os ideais para mim. Ou seja, sabes perfeitamente que eu sou politicamente bastante diferente de ti, mas como apenas tu estás certo - porque tu és o chefe de família e julgas-te papa e rei absoluto, porque todos os outros são cretinos e tu (seu bruto) és detentor da verdade suprema, porque tu és Salazar, és Hitler, és Mussolini e és Franco - eu não tenho liberdade de ser individual e de ser eu própria!


A única coisa que veio alegrar-me e me excitou, me orgulhou de mim mesma, me deixou realmente feliz, foi-ma dada e retirada de imediato. Deves achar que me convences a obedecer-te e que vais longe, assim.

sábado, 18 de setembro de 2010

desafio musical

Não gosto muito de mensagens correntes, mas achei este desafio interessante. Consiste em pôr o leitor de música a reproduzir aleatoriamente e utilizar as músicas que vão sendo reproduzidas como resposta. Roubado de Just Like A Puzzle.

1) Como te sentes hoje?
Set Up, por Linkin Park. 
Bem, eu não "sou" hip-hop, mas, de facto, eu sinto-me, tanto hoje como em quase todos os outros dias, como que indestrutível, por saber que sou verdadeira e singular, não uma cópia qualquer, como é hoje frequente nos jovens.

2) Vais ser alguém na vida?
 The Little Things Give You Away, por Linkin Park.
All you've ever wanted was someone to truly look up to you and, six feet under water, I do.
Talvez venha a ser um anjo guardião... ou então mãe! :D

3) Como os teus amigos te vêem?
I Love Rock and Roll, por Arrows.
Uau... Bem, realmente os meus amigos estão sempre a assediar-me! :))

4) Vais casar?
 Dry Ice, por Green Day.
I'll send a letter to that girl asking her to be by my own.
Bem... pelo menos um pedido vai haver.

5) Qual é a música do teu melhor amigo?
Fillip, por Muse.
This feeling is strange, but it's not going to change for anybody.
Bem, ele tem Filipe no nome... e também é determinado.

6) Qual é a história da tua vida?
Alles ist Neu, por LaFee.
Claro, sempre aquele desejo da procura pelo desconhecido e o medo de falhar! :)

7) Como é que foi a escola secundária?
She's A Rebel, por Green Day.
She's a symbol of resistance.
Ahh, gostei! Tomas! É verdade ou não?

8) Como é que podes ir adiante na vida?
Society, por Pennywise.
A protestar-me contra a sociedade? A corrigi-la?

9) Qual é a melhor coisa nos teus amigos?
Numb / Encore, por Linkin Park e Jay-Z.
Acho que ser-se numb ou ser convencido e pedir que lhe peçam encore não é tão bom assim...

10) O que é que está in esta semana?
Coming Clean, por Green Day.
Pelos vistos, assumir e aceitar a sua própria bissexualidade aos dezassete anos; mas é só modas, claro.

11) Como é a tua vida?
I Wanna Be Sedated, por Ramones.
Por acaso, por vezes sinto que apenas químicos conseguem acalmar-me... :p

12) Que música vai tocar no teu funeral?
Assassin, por Muse.
Isto explica todos os sonhos em que sou uma criminosa e acabo atrás das grades.

13) Como é que o mundo te vê?
Heiss, por LaFee.
Uau, sou uma brasa. Olhem, por acaso também sou uma menina de Odivelas! ._.

14) Vais ter uma vida feliz?
Can't Take My Eyes Off You, por Muse.
Pelos vistos, apenas se o meu amado me deixar amá-lo. ._.

15) O que é que os teus amigos realmente pensam de ti? 
Uprising, por Muse.
Rebelião! :D

16) As pessoas têm inveja de ti?
Shut Up, por LaFee.
Why don't you kiss my behind?
Aí está.

17) Como te podes fazer feliz?
Outsider, por Ramones.
É verdade. Gosto de ficar do lado de fora, a observar e a reflectir. :)

18) Com que música farias um striptease?
Are We The Waiting, por Green Day.
Este desafio está a irritar-me.

19) Se um homem numa carrinha te oferecesse um doce, o que farias?
Taste The Day, por After Forever.
Mandaria o homem embora, saborearia o dia e esquecia o doce? ._.

20) O que é que a tua mãe pensa de ti?
Dear Agony, por Breaking Benjamin.
ATÉ A MINHA MÃE?!

21) Qual é o teu segredo mais escuro e profundo?
Wer Bin Ich? (Versão de Orquestra), por LaFee.
Pelos vistos, ter amnésia... ou problemas de identidade.

22) Qual é a música do teu inimigo mortal?
Uptight, por Green Day.
Uptight, I'm a nag with a gun, yeah. All night, suicide's last call. I've been uptight all night.
Quem não ficaria nervoso e atormentado toda a noite a pensar em suicidar-se, quando me tem como inimiga mortal? ;)

23) Como é a tua personalidade?
A Modern Myth, por 30 Seconds To Mars.
Sou demasiado maravilhosa para ser real, daí ser um mito. :p

24) Que música vai tocar no teu dia de casamento?
Viva La Vida, por Coldplay.
Claro, há que festejar!

25) Que música vai tocar na tua lua-de-mel?
Blitzkrieg Bop, por Ramones.
Claro está! Let's make some fucking magic! (Shane Dawson)

26) O que os desconhecidos acham de ti?
At The Library, por Green Day.
Sim, eu leio muito.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

retornar à rotina

Este Verão vou ler carradas de livros, vou fazer exercício físico, vou limpar a casa com frequência, vou rever música, vou aprender guitarra, vou escrever no blogue, vou ler todos os blogues pendentes que tenho nos marcadores e vou ficar orgulhosa por isto. Vou, ainda, dar muito amor à minha avó, a pessoa que mais o merece. Talvez desta vez possa dizer que tive umas férias à maneira!

Falta uma semana para voltar à rotina e o que fiz? Dediquei-me a ser estranha de novo, a escrever ocasionalmente, a sonhar com música, a mergulhar nuns oito livros, à vontade, e a aborrecer-me comigo mesma. Aprendi a guitarra, sim, e debrucei-me em lágrimas pela perda da minha base, através de um internamento de meses da minha avó.
Rico Verão. O que vale é que ainda fui à praia ver o mar algumas vezes e a literatura não me abandonou por completo...

Ao menos livrei-me de bocas e insultos durante três meses e tive tempo para reflectir e pensar, algo que anseio por fazer constantemente. Esperemos que este ano ouça menos Olha ali aquela miúda, que horror! e Já viste a forma como se veste?, acompanhados de olhares que me tentam intimidar, só porque sou individual em tudo o que faço, até na forma como me visto, e tenho orgulho em ser quem sou. Quando irão perceber que os verdadeiros ridículos, a meus olhos, são vocês?


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

o homem dos bolos II

Conteúdo para Adultos


Em seguimento d'O Homem dos Bolos I


- Só mais um não me fará mal, creio...
Tinha acabado de trincar o biscoito, quando a sua metade  desapareceu da mão. De olhos esbugalhados, Elle não conseguia conter o espanto. Apalpando o sofá em sua volta, nada encontrou, por isso resolveu levantar-se, como se fosse possível para um bolo fugir das mãos e esconder-se debaixo de duas rechonchudas nádegas. Foi então que viu gotas de mel aparecerem em trilho no chão, como se dois pés invisíveis besuntados caminhassem. Olhou para onde se dirigiam. Agachou-se para espreitar debaixo do sofá e, ainda incrédula, comentou:
- Isto é cientificamente inválido. Parece impossível... - sentiu um arrepio, como se a espiassem, mas, não vendo alguém, voltou a espreitar - Devo estar a sonhar...
- Não estás, Williams. - uma voz fria e sarcástica cortou-lhe a respiração - Isto é muito mais real do que parece e, como é do teu conhecimento, as aparências iludem...
Um homem branco como cal pousava atrás de si, com um sorriso vago e um olhar intimidador. Muitas vezes antes, em muitos sonhos anteriores, este homem a tinha assustado, com imagens da própria Elle, ensopada em sangue, tentando desesperadamente acordar outras jovens mulheres, mas em vão: não é conhecido nenhum caso de vítima de estripamento que tenha sobrevivido; esse homem pouco atraente surgia e prometia-lhe ser a próxima. Agora aquele homem estava ali, ou pelo menos aparentava estar: Elle queria certamente destruí-lo, esmagá-lo por absoluto, cuspir-lhe vómito na garganta, pisar a sua cara, arranhar-lhe as bochechas, arrancar-lhe os olhos... mas sentia-o aproximar-se, pelo olfacto, e permanecia estátil, enquanto os seus olhos faziam aumentar o volume daquele homem, assegurando-a de estar próxima do seu fim. Queria fugir... mas como?

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

o virar de uma página

Ontem decidi fazer algo que já há muito planeava: desprender-me de redes sociais.
Tinha contas em MySpace, Hi5, iLike, YouTube, letras.mus.br... e, é claro, no blogger; mas, afinal, de que me servia isso?
Para partilhar fotografias e receber comentários? Isso não é algo que me entretenha.
Para partilhar música? Há formas mais naturais de o fazer.
Para manter o contacto com pessoas que me estão fisicamente distantes? Bem... essa seria uma boa razão, isto se as pessoas que me estão distantes o estivessem apenas fisicamente. Além disso, no final todos nós partimos e nos separamos, fazendo parte apenas de boas ou más memórias, ou caímos no esquecimento.

Assim sendo, resolvi eliminar todas, à excepção do YouTube, pois tenho lá contactos com os quais mantenho conversas bastante interessantes para mim, e do blogue, sendo este o único que realmente preciso; mas entre quase 1800 eliminações apáticas de contactos, um reteu-me. Não queria eliminar a única forma de comunicação que ainda tínhamos, iria perder-te para sempre...
Basta!, pensei. Já te tinha perdido antes, embora nunca nisso tenha acreditado realmente. Tu não irias dar pela minha falta, pois durante todo este tempo não te incomodaste em perguntar por mim.

Estarias apenas a adiar o momento em que matarias as saudades? Não sei. Talvez quando decidires fazê-lo, isto se alguma vez o quiseres fazer, seja tarde de mais. Cansei-me de esperar. Agora espero, muito sinceramente, que sejas muito feliz... embora eu não esteja mais por perto para me certificar disso. Fartei-me de parar a minha vida para esperar pela tua, embora sem ela a minha não faça sentido.

desespero irracional


Estou sinceramente farta, cansada de tudo isto!
Farta de andar com o pensamento às voltas, para em nada resultar. Não me adianta de nada pensar, de menos me adianta falar, pois nunca mais poderei agir! Então, para quê pensar? Engano-me a mim mesma, engano os que me rodeiam, fazendo-os enganar a si próprios e os que os rodeiam... Mas que merda é esta?!

Estou farta do meu ser moribundo, que por esse mundo fora vagueia, sem crer realmente na ambição de um destino. De outras vezes, me perguntaram se não tinha sonhos. Realmente, não. Não sei sonhar, nem gosto! Quando digo que sonho desempenhar uma certa profissão, limito-me a revelar aquilo que decidi fazer, já que cá estou; no entanto, estou certa de isso não ser algo que me realize e me faça encontrar a felicidade máxima, o por mim tão cobiçado estado de nirvana. Em suma, não considero que seja isso que me complete. Há um espaço vazio em mim que me incomoda: não é que isso me atormente, mas não gosto de assumir que não tenho sonhos nem esperanças mais fortes do que o meu próprio ser, o meu próprio senso de disciplina.
Não te peço para me amares, sequer! Também não peço para seres meu guardião! Mas, sinceramente, custa-te muito manteres-te a mim conectado? Custa-te muito deixares-me ser feliz, quando, para isso, apenas preciso de te ver feliz? Eu só te peço para não me deixares! Achas justo deixar-me? Não, porque tu és egoísta e nem sequer nisso pensas! Tu não te importas. Tu não queres saber. Talvez nem noção tenhas disso e porquê? Porque nem sequer te dás ao trabalho de pensar nisto.
 
Embora eu costume armar-me em racional e fria e dizer que pessoas vão, pessoas vêm, ninguém realmente fica... custa-me dizer o mesmo desta vez... porque, mais do que uma pessoa vulgar ou um amigo querido, és tu.