Há muito tempo que me venho a debater sobre uma questão que me confundia imenso:
Por que são as raparigas, de forma maioritariamente esmagadora, muito sensíveis e delicadas, "femininas"?
Sempre tinha achado que era uma questão de influência social. Para mim, as raparigas em geral tendem a ganhar os hábitos das mães, os hábitos "cor-de-rosa", o mundo das princesas, das Barbies, da fantasia, do sentimento.
Enquanto eu já tenha também sido um pouco assim, não me considerava uma rapariga típica. Eu sempre fui - e tenho vindo a sê-lo cada vez mais - menos emocional do que o normal, sempre fui mais lógica, mais racional, mais universal, sempre desejei separar o "coração" - como se o coração sentisse ou pensasse!... - do cérebro. Isto tornou-me numa pessoa inteligente, reconheço-o, e mais forte. Enquanto que as outras raparigas choravam com muita facilidade, ver-me chorar a mim era uma raridade tremenda. Eram acontecimentos que se contavam, em anos, pelos anos. Entenda-se que isto não tem a ver com uma vida facilitada - muito pelo contrário! -, pois sempre cri - e continuo a crer, mas agora apenas em parte - que isso se devia (totalmente) à forma como fui educada. Fui educada dentro de um "regime" muito disciplinar, exigente, rigoroso, frio. Não nego a existência de amor, mas, enquanto que o meu avô não era de expressar emoções carinhosas, a minha avó dava-me muito amor, apesar de ela ter sido sempre, também, bastante severa.
No entanto, ultimamente, tenho vindo a ficar mais sensível. Agora, entende-se que seja devido a um acréscimo exagerado de dificuldades, que me têm obrigado a crescer ainda mais depressa do que tenho crescido (não será difícil entender que, desde cedo, comecei a mostrar bastante mais maturidade do que o normal à minha idade), mas não se pode dar essa justificação para o facto de me sentir mais confortável ao expressar-me, de estar mais emotiva, mais delicada. Mais mulher.
Comecei, então, a interrogar-me se estaria absolutamente correcta. Afinal, os meus conhecimentos científicos não são por aí além... Interroguei-me, durante meses e meses, de forma consistente, se a sensibilidade teria alguma coisa a ver com a genética. Perguntei a diversas pessoas, nenhuma me soube responder adequadamente. Limitavam-se a admirar como poderia eu chegar a um problema daqueles, como poderia ter interesse por algo assim. Salientaram como era, de facto, mais madura, mas ninguém me deu uma resposta: todos aparentavam estar talvez ainda mais interrogados e confusos sobre a questão, apesar de terem em cima mais trinta, quarenta anos do que eu.
Agora, ao acaso, encontrei um artigo científico que me dá a resposta à minha questão.
O nosso cérebro, independentemente do nosso sexo biológico, pode ser feminino ou masculino, tendo em conta a qualidade e quantidade hormonal que estava presente no ventre das nossas progenitoras, quando estávamos dentro do mesmo, podendo esta diferença sexual ser explicada pela evolução histórica do Homem. Os valores sexuais variam entre 1 e 20, sendo mais masculino quanto mais reduzido for e mais feminino quanto mais elevado for.
Segue abaixo uma hiperligação que explica, de forma mais detalhada, este assunto, tendo, no final, um teste simples e rápido, que nos indica qual o sexo do nosso cérebro. Quanto à minha "diferença", relativamente à maioria das raparigas, explica-se pelo facto de ter tido nível 11 no teste: sou bastante equilibrada, neutra, apesar de ser ligeiramente mais feminina do que masculina.
Ciência e Tecnologia (Notícias): O sexo do cérebro