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sábado, 5 de fevereiro de 2011

a beleza no paradoxo

Christina Aguilera: Walk Away



What do you do when you know something is bad for you and you still can't let go?
I was naive. Your love was like candy: artificially sweet. I was deceived by the wrapping. Got caught in your web and I learned how to bleed. I was prey in your bed and devoured completely, and it hurts my soul, because I can't let go.
All these walls are caving in, I can't stop my suffering. I hate to show that I have lost control, because I - I keep going right back to the one thing that I need to walk away from.
I need to get away from you. I need to walk away from you. Get away. Walk away. Walk away.
I should have known I was used for amusement. Could not see through the smoke it was all an illusion. Now I have been licking my wounds, licking my wounds... but the venom seeps deeper, deeper, deeper! We both can seduce, but, darling, you hold me prisoner. Prisioner!
Oh! I'm about to break. I can't stop this ache. I'm addicted to your allure and I'm fiending for a cure. Every step I take leads to one mistake, (...) getting nothing in return. What did I do to deserve the pain of this slow burn? And everywhere I turn I keep going right back to one thing that I need to walk away from!
I need to get away from you. I need to walk away from you.
Everytime I try to grasp for air I am smothered in despair - it is never over, over. Seems I never wake from this nightmare. I let out a silent prayer: let it be over, over. Inside I'm screaming, begging, pleading no more!
Now - what do I do? My heart has been bruised! So sad... but it's true. Each beat reminds me of you. (...) Oh, I can't mend this torn state I'm in. (...)
The only thing I need to do is walk away. (...)

 












sábado, 1 de janeiro de 2011

confissão da origem

Ela era rebelde. Queria ser livre. Vivia sob o regime do pai, um homem sério, rígido, conservador e precipitado.
Ela engravidou e foi obrigada a casar. Nasceu um rapaz, adorado por todos.
Como todos os casamentos forçados e juvenis, a sua relação começou a corromper: inicialmente, de uma forma escondida - ambos sabiam o que os esperava, mas nenhum conseguia admiti-lo, nem mesmo a si próprios. E tudo isto continuou, apesar dos inúmeros adultérios causados pela emancipação do desejo, por parte de ambos, até que de uma dessas paixões irresistíveis um fruto desabrochou. De qual delas? Ninguém sabe. Talvez nem ela saiba. Ou talvez saiba e não o queira dizer. Por vergonha. Por medo. Por arrependimento. Por desilusão. Por abandono. Por um motivo qualquer.

sacada com rancor

- Do you know what is worth fighting for, when it is not worth dying for?
Os seus olhos deixaram a fixação e passaram a vaguear uma preocupação, como se procurasse um qualquer refúgio.
Joseph tirara a sua mão do ombro do amigo, após um penetrante olhar, que tentava encontrar o seu pensamento, o de Peter, continuando os olhos deste numa fuga desconsolada. Este desistir mostrava-lhe uma corajosa e afirmada desilusão, o que afligia ainda mais o seu cobarde temperamento.
Aquilo era de mais para Joseph. Não conseguia conter a raiva pelo destroçamento que o inundava.
- Did you try to live on your own when you burned down the house and home?! Did you stand too close to the fire, like a liar looking for forgiveness from a stone?!
Toda aquela ira era sacada com rancor, expresso na voz alterada, intensamente aumentando, enfatizando a dor, e na linguagem gestual incontrolada. Peter olhou o chão, deu meia volta e caminhou alguns passos para longe da besta. Iniciando-se com um suspiro, largou um desabafo, enquanto se virava de frente:
- When it is time to live and let die, and you can't get another try...
As suas palavras saíram de forma triste e reflexiva, com a cabeça acenando negativa e suavemente, de tal forma que foi de mais para si. Deixou-se cair na poltrona e voltou a suspirar. Talvez nunca tivesse sido tão corajoso e sincero.
- Something inside this heart has died! - lamentou.
Joseph atirou-se também numa poltrona de braços, escarlate. Reconhecia a gravidade da falta do amigo, mas por este lhe ser íntimo, entristecia também. Suspirou, por fim, apoiou-se nos joelhos e pousou a cabeça nas mãos, sério e pensativo; passou as mãos pela cabeça e um sorriso irónico saiu. Então fixou o seu parceiro de longa vida, entrelaçou as mãos uma na outra, encostou-lhes a boca, olhou-lhe amargamente nos olhos e concluiu:
- You are in ruins.

sábado, 25 de setembro de 2010

a coragem de ser cobarde

Cada passo em frente custa-me muito a ser dado. Ninguém me tem ouvido. Ninguém me tem olhado nos olhos e percebido que não estou bem. Tenho-me sentido tão sozinha e desmotivada que a janela parece-me tentadora.

Costumavas ser a única razão que me mantinha forte, que me fazia ter esperança de ser feliz no futuro, só que eu sei que não te vou ter por muito mais tempo. Eu estou a perder-te progressivamente. Vais ter alta em breve. Vens para casa e quem vai cuidar de ti? Duas das tuas filhas comprometeram-se com a Assistência Social a vir todos os dias cá a casa tratar de ti, mas depois elas vão-se embora e como é? Quem vai alimentar-te? Lavar-te? Mudar-te a fralda? Sendo que eu passo quase todo o dia fora de casa, terá de ser ele, ou vais ficar suja até o dia seguinte, esperando que elas cheguem? Achas que ele consegue assistir a isto e deixar tudo como está? Sabes, contrariamente, o que acontece se ele faz um esforço maior? As vértebras dele estão muito fininhas e separadas; com um esforço, parte as costas. É ele quem vai carregar com o teu peso? Não és propriamente leve... Além disso, trata-lo mal e não queres ver mais ninguém se não a mim. Estás sempre carente e apenas o meu amor te consola. Terei eu tempo para a escola? Vou eu conseguir fazer os trabalhos? Estudar? Não vou! Eu estou por minha conta, com apenas dezasseis anos.

E o que me acontece na escola? Os meus amigos afastam-se de mim. Ninguém percebe que não estou bem. Uns brincam comigo, como se eu tivesse paciência para isso, enquanto que outros parecem fugir de mim.

E o que acontece, quando chego a casa? Ele trata-me como se eu fosse um tapete velho e sujo.

Quando, há quatro anos atrás, eu era uma suicida, deixei de o ser porque comecei a ganhar a esperança de ser feliz um dia.
Quatro anos depois, aqui eu, com o desejo de saltar da janela, com a determinação de acabar com tudo. Tudo porque, quatro anos depois, as coisas apenas ficaram piores e piores.

No meio de tantas lágrimas, contudo, penso o que será dos outros sem mim. Quantas vezes me tinham dito que não conseguiriam ser felizes sem mim? Como será suportar a dor de me perder?
Não, eles irão ultrapassar. Ao fim de algum tempo, irão conseguir seguir em frente a sua vida. Além disso, acaba tudo aqui. Eu não assisto a mais dor, a mais nada. Tenho aqui o fim de tudo. Os outros acabarão por superar e poderão um dia ter uma família, brincar com ela, concretizar objectivos profissionais, serão felizes.
Mas... e a minha avó? Ela está a viver os seus últimos momentos da sua vida. Ela não tem vontade de viver, ela está numa depressão enorme. A única coisa que a faz aguentar mais ou menos a dor é saber que eu preciso dela para aguentar a minha. Ela apenas vive em minha função. Se eu termino a minha vida, a dela termina também. Como vai ela superar os seus problemas de saúde? Como vai ela aguentar viver? Ela não vai conseguir ultrapassar! Ela não o merece!

Perco as forças. Vou de encontro à parede. As minhas costas chocam contra a porta. As pernas fraquejam e deixam-me cair no chão, desmanchada em lágrimas. As minhas mãos puxam os meus cabelos com força e, impotentes, pressionam a sua frustração contra a minha cabeça.
Ainda agora tive um desejo nunca antes tão grande de saltar aquela janela... Estive prestes a suicidar-me!

Agora, neste preciso instante, sinto-me um nojo. Agora desejo morrer, mas não por cobardia, mas sim por ter sido cobarde. Tenho ódio de mim mesma. Frustração.
Tinha sido uma cobarde.
Tinha estado a um ponto de cometer algo contra o qual eu era.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

desespero irracional


Estou sinceramente farta, cansada de tudo isto!
Farta de andar com o pensamento às voltas, para em nada resultar. Não me adianta de nada pensar, de menos me adianta falar, pois nunca mais poderei agir! Então, para quê pensar? Engano-me a mim mesma, engano os que me rodeiam, fazendo-os enganar a si próprios e os que os rodeiam... Mas que merda é esta?!

Estou farta do meu ser moribundo, que por esse mundo fora vagueia, sem crer realmente na ambição de um destino. De outras vezes, me perguntaram se não tinha sonhos. Realmente, não. Não sei sonhar, nem gosto! Quando digo que sonho desempenhar uma certa profissão, limito-me a revelar aquilo que decidi fazer, já que cá estou; no entanto, estou certa de isso não ser algo que me realize e me faça encontrar a felicidade máxima, o por mim tão cobiçado estado de nirvana. Em suma, não considero que seja isso que me complete. Há um espaço vazio em mim que me incomoda: não é que isso me atormente, mas não gosto de assumir que não tenho sonhos nem esperanças mais fortes do que o meu próprio ser, o meu próprio senso de disciplina.
Não te peço para me amares, sequer! Também não peço para seres meu guardião! Mas, sinceramente, custa-te muito manteres-te a mim conectado? Custa-te muito deixares-me ser feliz, quando, para isso, apenas preciso de te ver feliz? Eu só te peço para não me deixares! Achas justo deixar-me? Não, porque tu és egoísta e nem sequer nisso pensas! Tu não te importas. Tu não queres saber. Talvez nem noção tenhas disso e porquê? Porque nem sequer te dás ao trabalho de pensar nisto.
 
Embora eu costume armar-me em racional e fria e dizer que pessoas vão, pessoas vêm, ninguém realmente fica... custa-me dizer o mesmo desta vez... porque, mais do que uma pessoa vulgar ou um amigo querido, és tu.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

linguagem criminosa

Conteúdo para Adultos



O que é isto, afinal?!

Engano.

- O que estás aqui a fazer?!
- Vim buscar o meu leitor de música.
- Vai mas é deitar-te...


Bola de neve.

- Que fazes acordada a estas horas?
Vou destruir tudo isto ao auto-destruir-me, mas isso não me importa.
O coração tenta libertar-se da caixa torácica, esse monte de ossos conservadores e repugnantes como um ditador europeu do século XX. Sê livre, rapaz, sê feliz. Não deixes que alguém te pare, que te impeça.
BUM! Acabou-se a inocência com uma explosão do músculo sentimental.

My voice just echoes off these walls...

- Ah! Ah! Ah! Ah! É realmente engraçado.


Mentira.

- Vou só à casa-de-banho.
Pum, pum. Pum, pum. Pum, pum.
- O que é que isto está a fazer aqui ligado a esta hora?!
Oh, por favor, só espero que ele não ligue o monitor. Nervos. Espero que não me chames de amor agora, nem que... Proximidade. Medo.
I'm suffering... abuse... violence... stand it... Formalidade de texto desconhecida:
- É vírus, de certeza. Devo ter desligado isto mal.
Eu tento enganá-lo, mas estou a enganar-me a mim própria. Sei perfeitamente que não o desliguei, mas também perdi o intervalo de tempo entre a minha fuga e o aparecimento daquela sinistra mensagem.
- Não, isto não é um assédio, avô. - semicerro os olhos e sei que isso dar-lhe-ia a entender que estou quase tão perplexa e confusa como ele, se fosse inteligente e observador; mas, no fundo, tenho a certeza de ter de pagar por tudo, por ter começado a enrolá-lo. Já não há o que perder. - E este abuse parece referir-se a maus tratos. Estranho...

Para uma mente bem organizada, a morte é apenas a próxima aventura.

Sombras. Não sei o que se passou a seguir. Morta, pesada, fria. Os olhos esbugalham-se e revoltam-se, abandonando o seu lugar, mantendo-se feios e salientes, deixando o meu rosto em tons de lilás. Psicadélica. Sinto-me suja e isso dá-me prazer. Sou um monstro devorador de sentimentos. Trapaceio a minha sombra e faço malabarismo com corações. Não é algo divertido e agradável?

Death in its most hideous form.

terça-feira, 25 de maio de 2010

arrependimento

Quero esconder-me num buraco, onde ninguém me veja, onde ninguém me aponte o dedo.


Mas de que adianta isso? A minha consciência seguir-me-ia eternamente e eu iria ter ainda mais vergonha de mim mesma por ter feito o que fiz, dito o que disse. Além do mais, o próximo permaneceria insultado. Aí, seria tarde de mais e seria ainda mais difícil sair do buraco onde já estou. É cobardia e não me leva a lado nenhum. Enterrada (e bem!) já eu estou.

Sou um monstro.